22.2.11

Virada cultural paulista 2011

Atenção, todos e todas!

O Governo do Estado de SP divulgou hoje a programação da Virada Cultural Paulista para as 22 cidades do circuito. Entre as atrações, estão os moderninhos Tulipa Ruiz, Do Amor, Marcelo Jeneci e os já consagrados Paralamas do Sucesso, Arnaldo Antunes, Pitty, Charlie Brown Jr...quer dizer, tem pra todo mundo.

A festa acontece nos dias 14 e 15 de maio.

Programação completa tá aqui.


14.2.11

Entrevista sincera

- E por que você queria tanto ser freira?

- Achava bonita a ideia de amar o próximo, aquela coisa hippie. Pensava: de repente eu posso ser enfermeira da alma de alguém.

- Talvez você tenha sido, de alguma maneira.

- É, através da música, pode ser.

13.2.11

5 a seco e os discursos do Bial

Pense numa propaganda de uma secadora de roupas naqueles canais de venda 24 horas. O narrador diz que ela é prática, inovadora, uma mão na roda, e mostra toda a eficiência do aparelho, enquanto a imagem gira em uma câmera de 360 graus bem loca, cheia de zooms. "E não é só isso", você ouve, enquanto já está com o telefone na mão.
Apesar da promessa de milagres na vida da dona-de-casa, a gente sabe que ela é totalmente dispensável. Nada que um varal suspenso não faça em um pouco mais de tempo.

Versátil, moderna e inovadora são adjetivos pouco impressionantes ou suficientes para uma banda; mas, ao que me parece, perfeitamente aplicáveis à 5 a seco, que veio a Santos na última sexta-feira (11), no Sesc.
Iniciada como um projeto paralelo de cinco jovens compositores de MPB, a banda não vai além da versatilidade que se espera de uma safra de músicos acostumada a lançar suas poesias na web e circular pela cena independente como se fosse seu quintal.

Os meninos tocam bem seus violões, baixos e guitarras, sem esquecer os instrumentos de percussão e o teclado pontuado em algumas músicas. Sem dúvida, há qualidade técnica e não é necessário ler o manual pra perceber. Dá pra sentir.

As letras é que me deixaram desejando que aquele show fosse mais enxuto. Rimas e jogos de palavras exaustivos, uma poética desvairada e, por vezes, clichê, que eu não consigo aplaudir.
No meio do show, lembrei de um tweet do @marceloadnet0 ironizando os discursos do Pedro Bial no BBB:

"Frevo, fervo, erva, feudo. Fere o medo e freva ao ermo; Logo cedo, finda o enredo." Bial, sobre o #diadofrevo

Sabe aquele GÊNIO! que fica na ponta da língua sempre que se lê textos intelectualizados, se ouve músicas autorais e se presencia shows conceituais?
Ultimamente ando querendo ouvir coisas mais simples.

Pra você conhecer:

10.2.11

Exportados

Hoje, às 22 horas, vai ao ar o último episódio da série Canções do Exílio, no Canal Brasil.

Dividida em três partes, a história é uma costura de depoimentos dos exilados Caetano Veloso, Gilberto Gil e de Jorge Mautner e Jards Macalé, companheiros de palco dos baianos. As lembranças giram em torno dos sombrios dias da ditadura militar no Brasil, em que vários artistas foram perseguidos por se oporem ao regime.
Entre os depoimentos, Caetano comenta como Chico Anysio ajudou a organizar sua volta de Londres a Salvador, por ser amigo dos milicos. Também diz das condições impostas pelas autoridades para que ele ficasse no país, como não cortar o cabelo ou aparar a barba.
Mautner, cientista criador da 'amálgama' brasileira, analisa os anos de chumbo por outro prisma, destacando os aspectos mais genuínos da sociedade brasileira.
Pode se concentrar, porque é uma aula de história, sociologia, música, tropicalismo.


ver de novo - No sábado (12), o Canal Brasil apresenta os três episódios completos a partir das 17 horas. Vale a pena ouvir essa história.



9.2.11

A crítica musical no Brasil

Depois de quase três meses que ouvi a palavra "aprovada", resolvi criar coragem/tempo para deixar disponível meu TCC.

Esse trabalho foi, acima de tudo, uma desculpa para que eu passasse mais de seis meses lendo, escrevendo e ouvindo sobre o que eu gosto: música.
Com ele, aprendi muita coisa sobre a música brasileira e sobre a crítica também.
Na verdade, pela carga bibliográfica que eu pesquisei, ele é muito mais uma junção de dados e histórias da música brasileira do que um trabalho exclusivamente sobre crítica - apesar de ter, no final, uma análise do jornalismo cultural, da crítica musical e uma entrevista com o editor da Rolling Stone BR, Pablo Miyazawa. 
Inclusive, só depois de conversar com ele, coloquei de vez um rumo pro TCC  e resolvi fazer um breve estudo de caso sobre a banda Vanguart.
A orientação foi do Prof. Dr. Gil Nuno Vaz, mestre que me ajudou a ampliar a percepção em relação à música brasileira. 

O resultado tá aqui.
Espero que gostem o tanto quanto eu curti fazer.

2.2.11

Mangueboy

Há 14 anos, Chico Science sofria um acidente de carro, e deixava o cenário musical brasileiro menos inventivo, menos genial.

Verdadeiro arquiteto da música brasileira. Salve Chico!

2.1.11

E quem não gosta de Los Hermanos...

Taí um bom momento pra esse post. Afinal, já se passaram mais de 10 anos que eu conheci essa banda, e conforme a gente vai ficando mais velha crescendo, as coisas realmente tomam outro sentido e você começa a ser questionada por suas posições, quereres e sentimentos.

Gostar de Los Hermanos é uma das atitudes mais polêmicas dos últimos tempos. Quase diariamente, alguém põe na roda o nome da banda, que se não tivesse acabado talvez se tornasse mais aceitável aos detratores
questionadores. A verdade é que sou de uma geração que, se não ouvia Charlie Brown Jr., ouvia Los Hermanos (eu era das duas tribos, mas isso fica pra outro post).
Eles surgiram de maneira mercantil com Anna Julia, estourando nas rádios, no Carnaval, no videokê, na cabeça de todo mundo. É claro que a ideia de banda de uma música só era evidente. Aliás, nesse momento, não havia nem banda. Se tornou algo tão maior, que era bem capaz que achássemos que o clipe de Anna Julia era só um episódio de Malhação interpretado por Mariana Ximenes.


(via @screamyell)


Era para estar em crise mesmo. Os caras com um CD repleto de músicas boas (vide Quem sabe, Onze dias e Azedume) e aparecendo no Faustão e no Gugu para explicar quem era a bendita Anna Julia.

Esse papo sobre o início da carreira deles é sempre o mote das críticas. Porque ninguém se preocupa em ouvir o Los Hermanos (1999) para abandonar a ideia de Anna Julia e ver que, queira ou não, eles mostraram algo novo e com uma incrível qualidade técnica que há muito não se via.
Quer dizer, Anna Julia e a ascensão do indie à cultura do espetáculo não são nada perto do trabalho que ficou. Por isso gosto tanto desse primeiro CD. Pena que não tocam tanto nos shows.


Outra coisa que permeia a ode ao ódio de Los Hermanos é o posicionamento da imprensa. Parece que a mesma imprensa que se alimentava da incansável Anna Julia precisa agora dizer "eles se acham o último Chico Buarque dos anos 2000".
Veja bem, meu bem, pra mim a comparação é furada pelo simples fato de eles serem de épocas diferentes. Dizem coisas diferentes para pessoas diferentes. O lirismo está lá, o cuidado com a construção harmônica e com os arranjos também.
O que acontece é que na década passada isso se tornava restrito a um bando que tinha lá seus 15-18 anos e se achava intelectual. Aliás, fã de Los Hermanos é mais devoto que quem vai às celebrações do padre Fábio de Melo. Talvez por isso as pessoas gostam tanto de criticar a banda...

Mas, não vale culpar a banda pelos fãs. Compreenda a máxima de que quando se publica, a coisa é de todos, e fatalmente, vai reverberar nos subnicks de MSN, no Fotolog, na descrição do Orkut, na capa da apostila... (haha fui longe, né).

E tudo isso foi elevado à décima potência quando LH lançou o Bloco do Eu Sozinho (2001). Composições que pareciam ter saído do querido diário de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante falavam sobre amor, amor e ah...amor.
Libero que falem mal de "Sentimental" e sejam tomados por um instinto incontrolável de cortar os pulsos com essa música. Mas, de resto, Bloco do Eu sozinho é um dos maiores CDs da década, mesmo com pouca vendagem e divulgação.
O Bloco foi só a abertura para o Ventura (2003), que emplacou "O Vencedor", "Todo carnaval tem seu fim" e "Último Romance", composição de Rodrigo Amarante, que passou a dividir mais o espaço com Marcelo Camelo, e definiu o que parece ser a cara dos Los Hermanos.

E se acham o Bloco e o Ventura motivos demais para rotular Los Hermanos como indie-intelectualóide, o 4 (2004) veio pra realmente testar esses limites. Lá estão as deliciosas Primeiro Andar, Morena, Condicional e Pois é; mas, também tem Sapato Novo, Horizonte Distante e Os pássaros, certamente lindas e certamente indigestas. Tipo uma caipirinha de maracujá que só tem vodka. ;-)



Conclusão? Los Hermanos é bom para quem viveu Los Hermanos. Para quem vibrou com o aplicativo "Sabedoria Hermana" no Facebook e tá nem aí se sofrer é demodê.

24.10.10

Fresno em Santos - [uma avalanche pop]

Você entra no www.myspace.com/fresnorock e o nome da banda e do novo CD, Revanche, aparecem piscando como um luminoso. Desce a página, e vê uma imagem dos quatro integrantes enfileirados - Bell, Lucas, Vavo e Tavares - com as respectivas mensagens publicadas no Twitter para os milhares de seguidores.
Lucas Silveira, vocalista e guitarrista, é o mais (per)seguido da banda, com quase 370 mil fãs que leem, diariamente, as memórias, crônicas e declarações de amor do jovem poeta - e ele ainda mantém o blog Romance em Apuros, que conta com bons números de visitantes.

A maioria das letras da Fresno é composta por ele em parceria com o baixista Tavares. Talvez seja esse trabalho a dois que garanta o jeito único com que a banda diz o que a garotada sente.
Lucas vai narrando as histórias consideravelmente autobiográficas, em letras muito sinceras e bem colocadas, entremeadas por gritos rasgados de Tavares, quase sempre com palavras de ordem ou de desespero. No show aqui de Santos, o som estava absurdamente alto e não se ouvia nada do que Tavares cantava. Mesmo assim, o público vibrava com cada palavra e fazia o favor de traduzir para os "menos fãs-olhares curiosos-o que estou fazendo aqui" que Fresno é pop até a alma - do número de fãs enlouquecidos ao discurso "sou rock, mas to na moda" que Lucas proferiu no meio da noite.

De qualquer forma, o cara escreve bem, e esse é um dos ingredientes de mais valor na tentativa da Fresno de trilhar um caminho de gente grande.

Mas, voltemos ao MySpace. Escutei durante um tempo as músicas por lá, e posso dizer que meus ouvidos foram adestrados pro show. Quer dizer, o que estava no palco era exatamente o que eu ouvi no meu quarto enquanto sofria com  fazia meu TCC. O setlist só tinha espaço para algumas novas, alguns hits e nada mais. O show, aliás, foi curto (e não fui só eu que achei), e deu a impressão de que esse modelo ainda está em fase de teste, já que a banda começou a turnê do Revanche há apenas um mês.

Apesar das condições adversas (som alto, show milimetricamente planejado, e um caso pessoal de tentativa de esmagamento), a banda conseguiu mostrar, despejando um balde de hits em cima da galera, que foi feita para estar no palco. E quanto maior o palco, como o do Bon Jovi, melhor. Aliás, Lucas discursou (mais uma vez) sobre as pessoas que "pagam pau pra banda gringa" e não valorizam o que tem aqui, a cultura brasileira. Também agradeceu aos guris que foram curtir um verdadeiro show de rock, que valorizam o rock nacional e etc. Aí tenho que discordar, caro Lucas.Vocês estão em uma realidade pop, mainstream e coisa e tal. Ter uma roda punk de cinco amigos no meio do show não te faz rock and roll.

Porque fui ao show da Fresno - Acho justo dizer que Fresno é pop e/mas é bom. Minha vida mudou (!) depois que eu li essa incrível entrevista do Lucas na revista Rolling Stone BR, na qual ele encerra dizendo que os sonhos são altos, a ponto de querer tocar na abertura das Olimpíadas de 2016. Essa foi a principal razão de eu ter ido ao show. Uma banda pop, que era emo, que tocou com Chitãozinho e Xororó, que participou do DVD do Roupa Nova, que abriu show do Bon Jovi, que é gaúcha, que tem letras lindas (e um baixista também)  hehe. Para pra pensar; há alguma coisa de revolucionária aí.

E se há uma banda preparada para ocupar esse lugar digno de louros (se tornando uma lenda do pop rock brasileiro) - carente de pessoas sinceras com tendências roqueiras desde a década de 80 [bons tempos de Lulu Santos] - é a Fresno.

5.10.10

M. de Andrade

Fiquei tentando resumir algum assunto que estou escrevendo/pesquisando para o meu TCC, mas há muitas coisas que merecem ser contadas com começo, meio e fim. Como minha vida ultimamente anda toda no ritmo do twitter, com, no máximo, 140 toques, resolvi separar algumas citações do livro Introdução à estética musical, de Mário de Andrade.

Esses pequenos trechos foram muito importantes para o meu entendimento sobre a avaliação estética da música. Mas, também foram uma via de acesso à sensibilidade, à compreensão da aura que a música tem e o quanto ela modifica a vida das pessoas.
Espero que gostem!

“A inspiração não é bela nem feia. A inspiração é uma fatalidade.A Beleza é uma consequência da inspiração de que o espírito regido por necessidades superiores fez uma obra-de-arte"

“A Música é a Arte dos sons em movimento.”

“A Arte embora não seja útil praticamente falando (...)
é necessária porque é inerente ao homem e porque é conhecimento”

20.8.10

A milhão

Voltei!

Maaas, estou a milhão - diante de uma coisa que tem tomado todo o meu tempo: TCC.

No começo do ano, data do último post, era tudo mais tranquilo e quase indefinido.
Agora, como tudo está encaminhado, vim compartilhar com vocês o que eu to escrevendo.

Como não podia deixar de ser, minha monografia é sobre crítica musical no Brasil - estudo de caso da revista Rolling Stone BR.

O trabalho tá sendo na base do bloco do eu sozinho mesmo, lendo que nem um monge e tentando pôr a mente pra fazer sinapse. Claro, com ajuda do meu orientador, que abriu minha visão totalmente, e de muitas pessoas com quem tenho conversado.

Neste momento, estou escrevendo uma parte meio introdutória, sobre a indústria cultural. Para tratar desse assunto sem cair no discurso "a culpa é do sistema", meu orientador me apresentou uma dissertação com o conceito de "canções da mídia". A autora é Heloisa de Araujo Duarte Valente e o texto é tão legal que até foi editado como livro.Vale a pena.